Fladimir Dariva Pereira - Cirurgião Dentista CRO-MT 5835 - Implantodontista, Estética e Reabilitação Oral.
Muito se pesquisa sobre as diversas doenças que acometem o organismo humano, a insaciável busca pela cura de doenças degenerativas, lesões graves através de acidentes, doenças auto -imunes, entre outras, fazem a indústria farmacêutica investir bilhões de reais em pesquisas e testes nos diversos laboratórios espalhados pelo mundo.
A revolucionária tecnologia desenvolvida tem quebrado muitos paradigmas em relação a cura de doenças e reparo de sequelas tidas por muito tempo como irreparáveis (definitivas), como o caso de lesões graves em células neurais.
Há muito se sabe que o nosso corpo possui a capacidade de curar-se sozinho. Isto acontece em boa parte graças às células-tronco, que estão espalhadas por todo o nosso corpo. À medida que envelhecemos, a quantidade de células-tronco vai diminuindo e, portanto, perdemos gradativamente a capacidade de reparar os tecidos vivos e órgãos lesados. O desenvolvimento tecnológico atual permite que seja possível isolar estas células especiais, chamadas células-tronco mesenquimais, e multiplicá-las em laboratório. Tal descoberta tem sido comparada à descoberta dos antibióticos no começo do século passado, e certamente irá mudar consideravelmente a forma como os tratamentos serão conduzidos num futuro próximo.
Mas o que muda? Tudo!
Como já mencionamos anteriormente, as células-tronco mesenquimais possuem uma grande capacidade de regenerar tecidos e órgãos lesados. Elas podem, por exemplo, auxiliar na produção de osso em fraturas extensas, diminuir as sequelas de uma pessoa que teve uma lesão da medula espinhal, devolver a visão em situações de lesões agudas ou até mesmo recuperar as articulações de quem tem uma doença degenerativa, ou quando se perde a função articular por causa de um trauma.
É sabido que tais células também possuem uma grande capacidade de modular o sistema imunológico, fazendo com que um órgão transplantado seja mais bem aceito pelo organismo da pessoa que está recebendo este órgão, aumentando as chances de sobrevivência da pessoa transplantada. Além disto, o tratamento de doenças autoimunes, como a esclerose múltipla e o diabetes, tem demonstrado um futuro promissor usando-se esta tecnologia como tratamento.
O interessante é que a tecnologia que está sendo desenvolvida para a utilização das células-tronco não propõe o controle de doenças, como ocorre com boa parte dos casos em que há necessidade de se usar remédios durante muitos anos (quando não por toda a vida), mas a proposta do uso das células-tronco é pela cura do doente.
Dentre inúmeras fontes de células-tronco, as mesenquimais obtidas de tecidos odontológicos despertam um interesse especial, pois como estes tecidos tem a mesma origem do sistema nervoso, podem regenerar estes tecidos essenciais, despertando grande interesse de pesquisadores da área pelo tratamento das doenças do sistema nervoso central tais como os acidentes vasculares cerebrais (AVC) e doenças degenerativas como as escleroses, Alzheimer ou Parkinson.
As principais vantagens destas células são: i) Podem ser obtidas a partir da coleta de tecidos que seriam normalmente descartados, como por exemplo, os dentes do siso, dentes com indicação de remoção por razões ortodônticas, e dentes-de-leite no momento de sua queda natural; ii) A velocidade de multiplicação, pois estas células se multiplicam muito mais rápido do que células oriundas de outras fontes, como por exemplo as células-tronco obtidas do tecido adiposo, da gordura retirada durante um procedimento de lipoaspiração; iii) Pode-se induzir em laboratório a uma transformação (pré-diferenciação) nas células que se precisa, direcionando o reparo dos tecidos; iv) Menor risco de aparecimento de tumores, uma vez que estas células quando devolvidas ao corpo não apresentam o potencial de transformação tão intensa quanto as células-tronco embrionárias, por exemplo.
Algumas outras considerações importantes:
Nem todas as células-tronco podem ser multiplicadas em laboratório. As células-tronco do sangue do cordão umbilical, por exemplo, são células-tronco do tipo hematopoiéticas, que servem basicamente para tratar doenças do sangue, e, diferentemente das células-tronco mesenquimais, as células-tronco hematopoiéticas não se multiplicam em laboratório, portanto, uma vez utilizadas não há como repor.
Como as células-tronco mesenquimais se multiplicam em laboratório é possível, por exemplo, obter-se células para tratamento futuro a partir de pequenas porções de material biológico, como é o caso da coleta da polpa dos dentes-de-leite no momento de sua queda natural.
Mas enfim, se estas células possuem tanta potencialidade de aplicação clínica, como se faz para tê-las à mão quando houver uma necessidade?
Bem, estas células demoram para se multiplicar. Podem demorar em torno de 2 meses ou mais, então, o ideal é coletá-las, multiplicá-las e armazená-las em laboratório, enquanto a pessoa estiver sadia - e preferencialmente, jovem, pois quanto mais idosa for a pessoa, menor número de células-tronco terá e, portanto, mais difícil será o isolamento destas células e mais lento será o processo de multiplicação a fim de se obter um número adequado para um tratamento futuro.
Apenas um Centro de Processamento Celular (CPC) particular que realiza a coleta de células-tronco mesenquimais de fonte odontológica. O CPC – Curityba Biotech (CROPR 3360) está situado em Curitiba, no interior do Campus da Universidade Positivo. Com experiência de mais de 10 anos no estudo das células-tronco, a equipe da Curityba Biotech está tecnicamente preparada e legalmente autorizada para receber o material biológico e prepará-lo para uma utilização futura.
A coleta de material biológico para armazenamento é um procedimento bastante simples, porém deve ser realizado apenas por profissionais devidamente treinados e credenciados ao CPC. A equipe técnica do CPC irá capacitar o profissional a realizar os procedimentos corretos para que o material biológico chegue até o CPC adequadamente preservado, independentemente da distância entre o local da coleta e o CPC.
A regulamentação em relação a esta prática está baseada nas Resoluções 09/2011 e 20/2014 da ANVISA, além da Resolução do CFO 157/2015.
Agradecimentos:
Curityba Biotech
Dra. Moira Pedroso Leão
Dr. João César Zielak