A ciência sabe muito sobre a infância, no entanto atualmente a diversidade e excesso de informações pode estar suprimindo a infância das crianças. Descobriram que as mentes infantis são como esponjas que absorvem e aprendem facilmente, mas muitos compromissos na vida infantil podem causar falta de tempo para movimentar-se, despertar a imaginação, desenvolver habilidades de aprendizagem necessárias para a base do conhecimento que será utilizado no decorrer da vida, especialmente na adulta.
Atropelar as crianças com ocupações inadequadas que ocupem o tempo livre de movimentar-se, brincar livremente pode trazer sérios danos ao equilíbrio corporal, emocional e desenvolvimento cerebral.
À medida que a criança se desenvolve e especializa sua ação sobre o meio, obtém maior domínio sobre o espaço e tempo próximo, aos poucos alcança espaços cada vez maiores e tempos cada vez mais distantes, por essa razão respeitar cada fase e valorizar o tempo é imprescindível para a saúde física e psicológica.
Quando um bebê inicia os movimentos de gatinhar pelo chão está habilitando músculos que serão posteriormente utilizados para andar na posição ereta por toda a vida. Quando são impedidos de realizarem esses movimentos naturais de agachar, se apoiar em um móvel, segurar, soltar, cair, levantar, se contorcer, então uma fase natural pode ser prejudicada.
Assim como o uso dos quadradinhos (chiqueirinhos), de disquinhos e tantos outros equipamentos que aceleram o equilíbrio motor e atrapalham o percurso natural de adestramento do olho, da mão, perna, pé que vem com todo ser humano desde sua formação no interior materno.
Ao impedir a criança pequena de explorar livremente o espaço geográfico da casa com móveis e elementos do seu ambiente (ambiente próprio) à medida que for crescendo restituirá em um novo ambiente o qual é o exterior composto por rua, quadra, bairro, campo, montanha, enfim mundo. Sua capacidade de perceber o mundo exterior pode ficar limitada, pois sua reconstrução é transformada constantemente com base nas vivências motoras desde bebê.
Algumas atividades que podem ser realizadas em casa no meio familiar como um piquenique, jogar tabuleiro, brincar com dominó, brincadeira de roda, ensinar parlenda, versinho que são brincadeiras comuns e úteis no desenvolvimento da linguagem, memorização e ainda proporcionam momentos de interação e bem-estar aos pequenos.
A brincadeira de esconde-esconde ou pique-esconde tem importante papel no desenvolvimento do bebê e das crianças, pois nesse simples brincar de esconder atrás da fraldinha, ocultar objetos e pessoas, há desenvolvimento da percepção visual, do raciocínio lógico, da percepção espacial e da noção de ausência entre outros conhecimentos necessários como, por exemplo, quando chega a idade escolar. A criança que sempre brinca de pique-esconde compreende melhor o tempo de ausência do familiar que a deixa na escola, pois já aprendeu que não se some para sempre. No seu mundo infantil, a criança que chora muito na escola pela ausência dos pais pode não ter experiências de brincar de esconde-esconde, não percebe que volta ou está em algum lugar.
Os familiares devem organizar e participar de atividades que possibilitem brincadeiras que estimulem o movimento global, outras vezes observar, de preferência, sem que seja notado esses momentos do mundo infantil. Os adultos devem estar atentos as brincadeiras das crianças que serão de relevante ajuda na educação e acompanhamento do desenvolvimento infantil.
As brincadeiras como amarelinha, pular corda, bola de gude, cinco marias eram aprendidas com os melhores professores que eram outras crianças, seus pares semelhantes. Hoje essas mesmas brincadeiras se tornaram matéria de escola, aparecem nos materiais didáticos de livros de pesquisa; primeiramente se tornam conteúdo no processo de ensino aprendizagem, estuda-se as regras, procedimentos e enfim chega o momento de brincar.
Quanto tempo para colocar o corpo em movimento! Corpinho esse que necessita mexer-se a cada quinze minutos! Quanto tempo para movimentar-se!
O movimento é essencial para qualquer aprendizagem. Um corpinho de criança estático por mais de quinze minutos afeta diretamente a aprendizagem. Isso ocorre por diversos motivos: ao movimentar-se livremente em um gramado as crianças executam movimentos de precisão, analisam percursos e desenvolvem o equilíbrio. Através do movimento, diversas substâncias benéficas são produzidas pelo próprio corpo e enviadas ao cérebro produzindo bem-estar.
O movimento prepara áreas essenciais no cérebro para outras aprendizagens como o de raciocínio lógico exigido pela matemática, leitura e aprendizado da linguagem. Capacita o cérebro realizar conexões neurológicas e encontrar novos caminhos para solução de um problema, como por exemplo: se por algum motivo uma parte do corpo está paralisada por um acidente, através de movimentos adequados realizados por um fisioterapeuta novas conexões neurais são criadas.
O movimento permite que ocorram aprendizagens significativas e prepara o cérebro para adquirir habilidades de leitura e escrita. Andar de bicicleta na infância é maior conquista na infância, assim como ler e escrever é a maior conquista do cérebro.
No mundo atual os aparelhos e toda espécie de equipamento estão ganhando o espaço da bicicleta e das brincadeiras ao ar livre. Os carros são equipados com aparelhos e atrações para a criança ficar praticamente imóvel. Precisa-se urgente retirar a infância que se encontra em frente a uma tela. Quase todos os espaços de lazer possuem telas e brincadeiras artificiais que impedem o movimento.
Quando as crianças podem frequentar um lugar onde existe a possibilidade de deixar seus corpinhos exercerem o que é natural, frequentemente “passam dos limites” e alguém que desaprendeu e esqueceu a própria infância ou vários deles se aproximam para colocar ordem e controle.
Se perguntar a esses adultos como foram suas infâncias provavelmente contarão que brincavam muito, subiam em árvores, brincavam descalços de futebol – na rua, subiam em escadas, cavavam a terra com as mãos. As crianças brincavam e muitas vezas precisavam colocar de molho as mãos e pés para soltar a “sujeira” das unhas, o banho precisava ser repetido na mesma hora ou a mãe pegava para pôr de molho e fazer uma faxina corporal.
As brincadeiras infantis livres ou direcionadas auxiliam no movimento corporal que diretamente produzem estímulos neurológicos e a efetiva aprendizagem.
O brinquedo representa uma miniatura de algo real ou não, mas que pode ser manipulado, explorado, lançado, experimentado, desmontado, desarrumado e pertence exclusivamente ao seu dono. O brinquedo é uma propriedade da criança exatamente como um território ou bem material de um adulto.
Se alguém invadir essa “propriedade” com absoluta certeza o território será defendido, por essa razão muitas vezes presencia-se pais em situações complicadas com filhos de seus amigos que querem os brinquedos da criança, pedem para os filhos dividirem, mas os pequenos dependendo da idade ainda defendem sua propriedade gerando desentendimentos e incompreensão por parte dos adultos.
Uma criança com um brinquedo pode inventar e reinventar diversos movimentos corporais, serve como uma ferramenta de “brincalho” comparado como um objeto de trabalho para o adulto.
Muitos adultos guardam os brinquedos das crianças em lugares inacessíveis para serem liberados no momento em que elas aprenderem a cuidar deles. Esses adultos se chateiam por elas riscarem ou quebrarem e até doam quando estão velhos e faltando partes. No entanto, não se deve criticar, tirar ou castigar uma criança por causa de brinquedos. Para as crianças, brincar tem a mesma seriedade que o trabalho representa ao humano adulto.
O brinquedo no olhar da criança tem valor, é como uma parte do seu próprio ser, é como seu braço! Ao doar um brinquedo “velho” sem primeiro consultar e realizar uma preparação com a criança é como retirar uma parte do seu próprio ser.
É necessário tempo de preparação com a criança, ensiná-la ser solidária para doar seus brinquedos, algumas crianças não concordarão e outras guardarão esses objetos em coleções por diversas razões. O importante é preservar a infância, compreender que o brinquedo é dela, que ao jogar o carrinho na parede, o fato de ele despedaçar não representa que se tornará uma pessoa que não dará valor as “coisas”, aliás nesta experiência provavelmente vivenciará as frustrações de quebrar o brinquedo e guardará consigo a experiência de como se deve dirigir um carro de verdade.
Especialistas escrevem sobre como essas experiências são benéficas e devem ser dialogadas com a criança em vez de criticar, castigar ou mesmo privar de brincar com os brinquedos como punição perguntar sempre o porquê fez assim é muito relevante e os adultos acabam descobrindo que o mundo infantil é deslumbrante.
Precisa-se de um olhar para o fazer infantil e os pais e as pessoas que cuidam das crianças devem observar o brincar com brinquedos, nas brincadeiras livres ou direcionadas muito se pode perceber sobre o equilíbrio corporal e emocional.
Ao brincar através de brincadeiras que movimentam o corpo, automaticamente se estimula o cérebro favorecendo a aprendizagem. O cognitivo se desenvolve efetivamente através do movimento corporal, por isso as aulas de educação física são as preferidas no contexto escolar e as brincadeiras e os passeios ao ar livre jamais são dispensados pelas crianças. Inconscientemente o corpo necessita de movimento para o cérebro funcionar melhor.
Os profissionais da educação recomendam momentos em contato com a natureza, pois melhora os comportamentos e auxilia no desenvolvimento das habilidades cognitivas. Um simples passeio em contanto com ambiente natural estimula o cérebro infantil trazendo benefícios incomparáveis ao cérebro e à aprendizagem.
Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele. Provérbios (22:¨6)
REFERÊNCIAS
Passos, Maria Cristina. Saúde, Alimentação e Nutrição / Maria Cristina Passos. _ _ Cuiabá. EdUFMT, 2007.
Rocha, Mariete Felix. Politicas Públicas em Educação Infantil / Mariete Felix Rocha, Ordália Alves Almeida, Tanea Maria Mariano da Silva. _ _ Cuiabá: EdUFMT, 2007.
Rocha, Marise Maria Santana da. O mundo social e a Diversidade Cultural Geográfica e Histórica II / Mariese Maria Santana da Rocha, Rosângela Branca do Carmo. _ _ Cuiabá: EdUFMT, 2008.