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Cassiana Guerra Rothen Faust - Formada em Design de Moda atua no mercado da Moda há 15 anos. - 17-05-2019

Não se sabe ao certo uma data exata para aniversariar a terminologia Moda, estudos mostram que o termo surgiu por volta do século XIV. O que se sabe é que o ato de proteger o corpo contra as intempéries, torna-se correlação de identidade, nos dias de hoje.

Muito do que somos está impresso no que nos cobre. Todo estudo de semiótica leva a crer que podemos “ler” um pouco da identidade do “ser”, através do ato de se vestir.

A moda deixa estabelecer um contato visual pré definindo algumas características peculiares do ser. Porém a muito mais além do que o simples espaço entre o corpo social e o corpo individual, deixando claro uma forma real de expressão, de segregação, por fim, uma definição de grupo (tribo). Nesse espaço, o estudo psicológico do ser, é vasto, mas neste texto vamos nos limitar apenas a falar um pouco sobre essa evolução que a Moda sofreu dentre os séculos e a sua imensa importância não só social como econômica.

Historicamente falando, na pré-história as peles e couros eram a única forma de proteger o corpo que se conhecia. Dos animais vinham os “tecidos” para a proteção, que desde os primeiros relatos já mostravam certa singularidade quando se notavam diferentes formas de usar e amarrá-los ao corpo.

Os únicos registros da época são pinturas rupestres pintadas em cavernas. Começa já nesse momento a formação de hierarquia, definindo classes, onde o mais forte conseguia ser mais ágil na caça, provendo assim aos seus, “roupas” mais robustas e imponentes em comparação aos desprovidos de habilidades, que teriam então, que contentar-se com o pouco que conseguiam. Dentro deste contexto não podemos deixar de ressaltar que a evolução intelectual da época também se deve as formas desenvolvidas pelos primatas para amaciar as peles e pêlos, tornando-os mais agradáveis e maleáveis. Percebe-se com essa observação, já a devida e relevante importância da Moda. Na seqüência registra-se a Moda usada no Egito antigo e na Grécia, com adereços e tecidos plissados feitos normalmente de linho. Roma logo mais, apresenta uma Moda mais trabalhada com peças ricas em detalhes. 
Dada a imensa evolução durante os séculos, nota-se que a indumentária passa a ter a relação de importância nessa evolução como um todo. Diversas técnicas de tecelagem, tingimento, assim como os maquinários, passam a ser tecnicamente mais desenvolvidos, novamente se mostrando presente de forma imponente no setor do desenvolvimento, intelectual ou material, não só para suprir a demanda do “cobrir”, mas também a do “impor”. A forma mais visível de classificar e diferenciar as “posses” era através da roupa. A roupa passa a ser usada por questões sociais e culturais. 
Considera-se assim como em outros setores, que mesmo lenta essa evolução no setor da indumentária foi de imensa valia. Os tecidos que antes eram feitos de forma manual ou em rudimentar tear, na Revolução Industrial no Reino Unido no século XIX, passam a serem feitos de forma mais ágil e rápida com teares movidos a vapor. Foi nessa passagem histórica que a Moda de fato começa a tornar-se mais importante e ao mesmo tempo, mais efêmera.

A Moda passou a mudar mais e mais freqüentemente, mas apenas as pessoas mais abastadas podiam se dar ao o “luxo” de adquirir as últimas novidades dela. Os franceses continuaram a ditar o que se era produzido na Europa até o início da Revolução Francesa. Ao longo do século XIX, a industrialização na produção de tecidos e roupas espalhou-se para outros cantos do mundo. A indústria têxtil ficou firmemente estabelecida nos Estados Unidos, França e, logo mais, no Japão e na Alemanha. Nota-se que ainda hoje essas são as grandes potências econômicas mundiais. Muito mais do que apenas o ato de vestir, a moda se torna um reflexo das forças sociais, políticas, econômicas e artísticas de um determinado período. Os estilos contam nitidamente sobre o momento vivido.

Em paralelo com a evolução têxtil, andavam a evolução automobilística, da arquitetura e engenharia e até mesmo a evolução científica. Todas entre elas entranhadas com muitas técnicas similares de crescimento e designs parecidos, na maioria das vezes definindo assim, um estilo, uma época.

No setor econômico, a evolução é bastante expressiva, quando se estuda profundamente toda a cadeia que move essa indústria, percebe-se o quão vasto é o ramo. Muitos especialistas de diversas áreas podem fazer parte do contexto industrial da moda. A criação de postos de trabalho na área é imensa. São eles ilustradores, designers, pesquisadores de tendências, engenheiros têxteis, produtores rurais, estilistas, costureiras, professores... Enfim poderíamos passar um dia apenas citando o número de pessoais importantes que ajudam a roda dessa imensa economia a girar.

Quem considerar o consumo de Moda como algo fútil, não é capaz de enxergar o quanto o setor foi e é importante para o desenvolvimento da economia. Para ilustrar um pouco e facilitar o entendimento podemos usar os números. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil – ABIT, a indústria da moda representa mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), contribuindo imensamente com o crescimento da economia do país. Mundialmente falando essa fatia é ainda maior movendo em torno de 2,5 trilhões por ano.

Aspectos de sustentabilidade vêm sendo cada vez mais aplicados nas indústrias relacionadas à Moda, a cobrança em torno do tema, tem feito as grandes corporações mundiais investirem em pesquisas elevadas para garantir que seus produtos sejam cada vez mais “ecologicamente corretos” de modo a repensar suas produções de forma mais consciente, trabalhando com a reutilização de matérias prima e tratamento de resíduos gerados. Essa consciência não é apenas um pensamento individual da indústria, mas sim uma cobrança fortemente vigiada de órgãos que vem multando as corporações que não estão se adequando aos novos pensamentos sustentáveis. A mídia tem grande parcela de culpa nesse fator, não deixando passar impune toda e qualquer forma de desvio de conduta dentro do setor.

Sintetizando o pensamento, podemos sentir ao longo dessa longa viagem pela história da Moda, o quão importante é o movimento desse crescente mercado no mundo em vários setores. Pensar a Moda como um dos pilares da economia torna ainda mais fascinante todas as faces que esse encantador tema tem mostrar.

 

moda, s. f. (fr. mode). 1. Uso corrente. 2. Forma atual do vestua?rio. 3.Fantasia, gosto ou maneira como cada um faz as coisas. 4. Cantiga, a?ria, modinha. 5. Estat. O valor mais frequente numa se?rie de observac?o?es. 6. Sociol. Ac?o?es conti?nuas de pouca durac?a?o que ocorrem na forma de certos elementos culturais (indumenta?ria, habilitac?a?o, fala, recreac?a?o etc.). S. f. Pl. Artigos de vestua?rio para senhoras e crianc?as. (Diciona?rio Brasileiro da Li?ngua Portuguesa, 1980, p.1156).