Dra. Rayssa Salles C. Brandão
Endocrinologista CRM-MT 10.352 / RQE 4.754 / RQE 4.753
Formada em Medicina na UNIFENAS, com Residência em Clínica Médica na UNITAU, Residência em Endocrinologia e Metabologia na PUC- Campinas e Pós graduada em Nutrologia pela Abran.
CONVERSANDO SOBRE EMAGRECER
Atualmente, o excesso de peso é um problema de saúde cada vez mais comum. Os motivos são variados: a redução da prática de atividade física, o aumento do consumo de alimentos industrializados, como “salgadinhos”, refrigerante, fast-food, além do fator genético.
O último levantamento oficial do IBGE, de 2008-2009, mostra que na nossa região Centro-Oeste, 48.3% dos adultos estão com excesso de peso, e 35.15% das crianças entre 5-9 anos. Dados alarmantes!
Riscos de estar acima do peso
Precisamos nos atentar que a obesidade carrega outros problemas de saúde, como diabetes e hipertensão, por exemplo.
Também aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, o popular infarto do coração, e acidente vascular encefálico, também conhecido como derrame cerebral, além da doença hepática gordurosa não alcoólica, popularmente conhecida como gordura no fígado.
Estar acima do peso aumenta as chances de câncer, sendo os órgãos de maior risco: esôfago, estômago, intestino, fígado, vesícula biliar, pâncreas, rim, mama, ovário, endométrio, tireóide e mieloma múltiplo. Ou seja, a obesidade reduz a qualidade de vida e aumenta a mortalidade.’’
Os critérios que usamos para definir o excesso de peso são:
• IMC (índice de massa corporal), que avalia peso conforme a altura, e resulta em excesso de peso corporal.
• Circunferência do abdome, que avalia a obesidade central.
• Composição corporal (avalia também quantidade de gordura corporal), através de equipamentos como a bioimpedância.
Como emagrecer? Quanto emagrecer?
Um ponto importante a se entender é que quem controla o nosso peso é o hipotálamo. Nas pessoas obesas, esse órgão entende que o melhor peso é o peso máximo, e ele faz de tudo para se manter nesse peso, ou retorná-lo quando emagrece (aumenta a fome e reduz o gasto energético).
Por isso, não é fácil emagrecer. Não basta a simples frase “comer menos e fazer mais atividade física”. Algumas vezes, há distúrbios hormonais associados, como hipotireoidismo. Porém, mesmo sem alguma doença por trás do excesso de peso, perder peso continua sendo difícil.
Encarar o processo de emagrecimento como uma responsabilidade apenas da pessoa, e que já sabe o suficiente de como fazer para perder peso, não é um bom começo.
E não é porque já tentou emagrecer e não conseguiu, ou recuperou o peso, que não deve tentar novamente. Entender o que não funcionou e buscar novas estratégias é sempre um bom caminho. A obesidade deve ser encarada como uma doença, igual a diabetes, ou a hipertensão arterial, e o tratamento com profissionais habilitados é fundamental para auxiliar o paciente nesse processo.
Qual é o peso ideal?
Existe um peso ideal para cada altura, ou uma porcentagem de gordura ideal.
Mas vamos aos dados científicos: perder entre 5-10% do peso já faz muita diferença! Reduz chance de diabetes no futuro, reduz níveis de pressão arterial em pacientes hipertensos, reduz o risco de eventos cardiovasculares, dores articulares, depressão, melhora a função sexual.
Então uma perda de peso intermediária já faz muita diferença na qualidade de vida e na autoestima.
Deve-se ter em mente que cada organismo responde de uma maneira a mudança alimentar, a atividade física ou ao medicamento.
Evite se comparar com outras pessoas. Por exemplo, homens tendem a ter uma perda de peso mais rápida, cada um pode estar em uma diferente fase do emagrecimento, sem contar o fator genético que é diferente. Não seja desmotivado por isso!
Procure comparar-se consigo mesmo, avalie as experiências positivas e negativas. Isso é fundamental para auxiliar na perda de peso.
Emagrecimento na prática
O planejamento alimentar e a prática de atividade física devem ser individualizados. Não existe dieta milagrosa. O que existe são hábitos saudáveis aliados a redução da quantidade de calorias ingeridas, e que sejam mantidos ao longo do tempo.
Há inúmeras possibilidades hoje em dia (low carb, jejum intermitente…), e cada um com seus benefícios e dificuldades. A atividade física sempre deve ser avaliada conforme limitações e gosto pessoal.
O uso de medicamentos auxilia neste processo complexo que é emagrecer. O tratamento medicamentoso também deve ser individualizado e acompanhado, buscando resultados a curto e longo prazo.
Buscar ajuda para emagrecer não é sinal de fraqueza. É uma busca por qualidade de vida, é um cuidado consigo mesmo.