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ENTREVISTA CHICO GAMBA
EDIÇÃO 01 – MAIO/2019

Pioneiro na agricultura CHICO GAMBA afirma com propriedade, ‘‘Alta Floresta é a bola da vez na produção de grãos.’’
Produtor rural que vive na região desde 1978 diz que é o momento de aproveitar ainda mais o potencial da região para investir mais principalmente no setor de grãos.

    Era 1978 quando uma família da pequena cidade de São Miguel do Iguaçu, no Estado do Paraná, chegava em Alta Floresta, a cidade colonizada pelo Bandeirante Ariosto da Riva no extremo norte de Mato Grosso, onde a agricultura era vista como promissora. Mas o casal paranaense e seis filhos, que chegaram para trabalhar na lavoura do arroz, do milho, além do café e cacau, viram em poucos anos mudar um pouco o foco econômico em razão da chegada do ouro. Isso no entanto, não os tirou da agricultura, mas reforçou o sonho de, juntos, se tornarem grandes produtores rurais, o que de fato aconteceu.
    Liderada pelo empresário e produtor Valdemar Gamba, a família que começou a trabalhar com 600 hectares já foi aumentando sua produção, diversificando. O grande foco na época no entanto, era o arroz, que tinha mercado garantido através da (CONAB) Companhia Nacional de Abastecimento. “Eu meus irmãos e meu pais estivemos sempre juntos” lembra o produtor que enche os olhos de água ao lembrar que o pai era o grande líder, mas acabou falecendo cedo, com pouco mais de 40 anos, em 1984.
    Mas a família Gamba não deixou de continuar seus projetos em Alta Floresta. Os irmãos foram casando, constituindo família, mas mantendo a tradição de mexer com arroz, milho café, cacau e gado. “A agricultura e pecuária sempre uma acompanhando a outra, assim como uma lavoura diversificada porque se em algum período desse algum problema com uma, a outra subsidiaria o momento e graças a Deus assim continuamos, fomos produzindo”, lembra.

O maior produtor individual de arroz

    Chico Gamba, sempre sendo destaque como determinado, batalhador, conhecedor e produtor dos melhores produtos, tinha suas propriedades escolhidas para realização de eventos. Eram nas suas áreas plantadas que Embrapa, Agronorte e outras instituições chegavam com suas equipes para realizarem Dia de Campo em Alta Floresta e apresentar resultado de pesquisas. Assim aconteceu por pelo menos 15 anos.
    Foi nessa época quando Valdemar Gamba, através de levantamentos foi até considerado destaque nacional pela produção e arroz em quilos e por hectare. “A gente produzia em torno de 149 sacos de 60 quilos por hectare. São quase nove toneladas de arroz sequeiro”, registra Gamba ao revelar que se sentia bem em ver tantos produtores em sua propriedade. “Isso tudo numa época que aqui não tínhamos tanto o apoio técnico. Quando a gente precisava fazer algo, corríamos para fora atrás de obter conhecimento ou aprendíamos sozinhos. Não tinha tanta assistência como vemos hoje. Mas só temos a agradecer a Deus por tudo”.

Somos a Bola da Vez

    Quando a família Gamba mudou para Alta Floresta, já observou que além de uma área na época, praticamente virgem, tinha e mantém um solo muito rico. “Alta Floresta tem um potencial muito forte. Tem área com bom relevo. Nosso solo tem uma saturação de base muito boa e nos permite investir em quase todo tipo de produção e com maior qualidade como é o caso da carne, leite, peixe, do arroz, e agora o soja e milho.  Nós somos a bola da vez”, revela o produtor rural que há mais ou menos seis anos tem investido forte no soja, plantação que só tem crescido em toda a região.
    Só na cidade de Alta Floresta, conforme números do Instituto de Defesa Agropecuária, em cinco anos, de 11 propriedades o município passou a ter em toda sua extensão em torno de 66 propriedades com plantação e soja, um total de quase 25 mil hectares. “E esse volume só aumenta, tanto que grandes investidores como Grupo Maggi e Bom Futuro, já estão há algum tempo arrendando e comprando áreas em toda a região. Isso é bom para todo o extremo norte de Mato Grosso”, analisa Chico Gamba.
    Não seria apenas a qualidade do solo ou falta de espaço para plantar em outras regiões que tem feito da região de Alta Floresta, a vitrine do agronegócio. A pavimentação da BR-163 até o Porto de Miritituba que, mesmo em ritmo lento, está prestes da conclusão e o projeto da ferrovia, atraem os olhares dos grandes produtores. “Antes estávamos a quase 3 mil quilômetros do Porto de Paranaguá ou de Santos. E agora ficaremos a aproximadamente 1000km de Miritituba, no estado do Pará. Se fizermos uma pesquisa de propriedades negociadas na região de Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes e outras cidades circunvizinhas, veremos o quanto cresceu em se tratando de gente em busca de área para plantar soja ou outro tipo de grãos. Nossa região é muito rica. Tem solo para produzir o ano inteiro e com resultado positivo”, garante o produtor.

Chegada dos grandes armazéns

    Chico Gamba e a família nunca deixaram de continuar na pecuária e outras produções. Mas a chegada do soja inovaram os projetos e foi assim que investiu também no ramo empresarial. O produtor construiu uma estrutura para armazenar e secar seus produtos, com a balança e toda infraestrutura necessária. Mas logo viu que o negócio poderia atender outros e não por acaso, atualmente atende cerca de 20 a 30 produtores de soja, com trabalho diferenciado. “Neste ano já carregamos em nosso armazém quase 300 caminhões. Isso é fruto do quanto a região está crescendo. Podemos acreditar que atualmente na região de Alta Floresta temos cerca de 50 mil hectares de soja e quando termina a colheita, tem o milho e depois, o capim, sempre possibilitando outro produto e com qualidade comprovada”, reafirma o também empresário que observa o quanto o desenvolvimento da cultura do grão, provoca também a chegada de outros investidores.
    Só observamos como tem surgido grandes lojas de máquinas agrícolas, insumos. E o que vai chegar em seguida serão os produtores de aves, suínos e muitos outros. Antes não tínhamos o produto. O frete era caro. Mas agora, com muitos investindo em cereais, o volume aumentando e ainda tendo alternativa de escoamento, com certeza é mais aquecimento de nossa economia”, prevê Chico Gamba.